Por que meu filho só me obedece quando grito?

Father disciplining his daughter

Os nossos filhos são nosso bem maior, chegamos cansados de um dia de trabalho e queremos loucamente estar com os pequenos, aproveitar cada segundo e perguntar sobre seu dia na escola e brincar com eles.

Mas percebemos que eles não obedecem, às vezes eles não estão interessados no que você diz, estão elétricos e ansiosos. E então, para que lhe obedeça, você grita!

Logo percebe que aquele momento de curtir os pequenos no final do dia ficou guardado na caixinha de desejos e o resto da noite vira um estresse, porque as crianças desobedeceram e a mamãe gritou.

 Porque seu filho te obedece somente quando você grita? Vamos entender como funciona o cérebro dos nossos pequenos quando gritamos e como esse ato prejudica o desenvolvimento da criança. 

Por mais que nos desculpemos com nossos filhos por ter perdido a cabeça e damos carinho, o dano está feito. Os contínuos gritos têm seu impacto no cérebro humano e no desenvolvimento neurológico da criança, já que o ato de gritar tem uma finalidade muito concreta em todas as espécies, que é a de alertar um perigo. As crianças obedecem ao ato de gritar porque sentem medo. O prejudicial é que nosso sistema de alarme se ativa e libera cortisol, o hormônio do estresse, que tem como finalidade habilitar as condições físicas e biológicas necessárias para fugir ou lutar.

Quando gritamos sempre com nossas crianças, liberamos excessivamente no organismo dos pequenos o cortisol, que em grande quantidade afeta diretamente a formação do cérebro da criança. O hipocampo que é a estrutura cerebral relacionada com as emoções e a memória poderá ter um tamanho reduzido e o corpo caloso, onde é o ponto de união entre os dois hemisférios cerebrais recebe menos fluxo sanguíneo, prejudicando o equilíbrio emocional da criança, a sua capacidade de atenção e outros processos cognitivos.

Um estudo da Universidade de Michigan que foi publicado na revista Child Development, verificou como os gritos afetam o comportamento das crianças. Foi feito uma pesquisa com quase mil famílias compostas por pai, mãe e filhos entre 13 e 14 anos, os pesquisadores constataram que 45% das mães e 42% dos pais admitiram ter gritado com seus filhos. Os adolescentes dessas famílias apresentaram diversos problemas de conduta, diferente daqueles de famílias sem gritos. Alguns problemas relatados são dificuldades no aprendizado e sintomas de depressão.

O problema é que temos a tendência de repetir o padrão educativo de nossos pais. A maioria das pessoas pensa que utilizar os gritos serve para manejar o comportamento inadequado de seus filhos. Às vezes é difícil se desfazer dessas crenças e padrões de comportamento que aprendemos ao longo da vida observando nossos pais.

Mas é possível modificar condutas que reconhecemos que são tóxicas para os nossos filhos. Podemos aplicar estratégicas claras, como ficar mais atento, manter a calma e parar para refletir antes de reagir a alguma estripulia. Podemos buscar distrações, para concentrar a energia da ira para alguma atividade produtiva. Mas se o problema persistir e o grito for um padrão habitual de relacionamento com os filhos, é muito importante buscar ajuda psicológica. 

 

 

04 passos para abandonar o hábito de gritar com os filhos

As crianças e os adolescentes vão desafiar os pais, é natural. Muitas situações vão ser difíceis e desafiadoras na hora de educar, ensinar e fazer as crianças obedecerem. Mas é possível que consigamos sucesso sem os gritos. Além de ajudar o desenvolvimento saudável das crianças.

Segue abaixo alguns simples passos para abandonar o hábito de gritar e criar uma relação de mais harmonia entre você e seu pequeno.

Lembrando que para criar hábitos, é preciso praticar dia após dia. Nosso cérebro aprende por repetição, e no início pode parecer difícil abandonar um hábito ruim e substituir por atitudes positivas, mas com o devido tempo, será natural.

  • Entenda os danos de gritar com a criança: Como já citamos acima, os gritos causam danos ao desenvolvimento das crianças, e o primeiro passo é compreender de fato isso. O perigo não está no tom do grito. Até porque não há mal nenhum gritar a plenos pulmões: “Eu te amo, meu amor!”. Mas quando gritamos com raiva e irritação, dando exemplo ao nosso filho de que não há problema em perder o controle quando estamos nervosos.
  • Reconheça que é inútil gritar: Vocês já param para analisar que os gritos nada mais são do que uma manipulação? Quando gritamos estamos exigindo uma ação, que será obtida pelo medo e não pela aprendizagem que pode ser conseguida através das palavras de uma conversa tranquila. O grito diminui o poder da criança obedecer pela aprendizagem, pois ela vai obedecer pelo medo.
  • Lembre-se de seu papel: Muitas vezes usamos o grito como resposta aos gritos e birras de nossos filhos, pagando na mesma moeda. Mas o seu papel é de mãe, é de adulto. O seu papel é de ensinar, acalmar e entender. Muitas mães perdem a paciência com os gritos e birras que agem da mesma forma com os pequenos, e essa atitude geram um circulo vicioso de gritos e birras que sempre voltarão para você. Lembre-se sempre, antes de agir com raiva e irritação, que seu papel é de acalmar e orientar seu filho.
  • Trace um plano de fuga: Se você está quase gritando com seus filhos e está cansada, talvez de TPM e eles estão te deixando maluca, respire fundo! Às vezes o momento e a situação estão quase te fazendo perder o controle, então busque uma forma de fugir da batalha. Simplesmente dando uma volta, você pode conseguir tempo para se recompor e esfriar a cabeça. Se você não pode dar uma volta, então vá para outro cômodo, coloque fones de ouvido ou vá ao banheiro. O importante é não gritar e não demonstrar descontrole aos pequenos e criar um ambiente de estresse.
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Karla Mendonça

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